Cibercultura como Prática Educacional na Formação de Professores
Pensar a cibercultura, como um meio de auxilio para a formação de professores, e a utilização de ferramentas hipertextuais, é entrar em contraste como os paradigmas que envolvem o modelo tradicionalista de escola e ensino, é entender com clareza a definição de tecnologia quando dizemos que essa palavra vem da junção grega de duas palavras téchne (arte, destresa) e logos (palavra, fala, razão) No entanto a téchne não era uma habilidade qualquer, mas aquela que seguia certas regras. Em termos gerais podemos pensar que a téchne acarreta a aplicação de uma série de regras por meio das quais se chega a conseguir algo. Penso, que partindo desse principio, passa a existir uma téchne do ensino (“arte de ensinar”). No entanto a tecnologia não é um simples fazer, mas um fazer com logos (raciocínio). A tecnologia, de acordo com a enciclopédia francesa, configura-se como um corpo de conhecimentos que, além de usar o método cientifico, cria e/ou transforma processos materiais. Observe que isso é muito similar com a teoria da humanização, no sentido de que à saber a humanização é o fato de o homem no seu intelecto se tornar humano, e o mesmo transformar o ambiente às necessidades que ele mesmo cria. Para os filósofos da tecnologia, como Skolimowsky (1983) “na tecnologia produzimos instrumentos: proporcionamos meios para construir objetos segundo nossas especificações. Em resumo, a ciência tem a ver com o que é, a tecnologia com o que há de ser”. Falar em cibercultura e hipertextualização, é como reinventar o livro. No período da Idade Média os livros eram enormes, difíceis de serem manuseados, acorrentados nas bibliotecas e lidos em voz alta no átrio. Então devido a uma modificação na sua dobradura, o livro torna-se portátil, e difundisse maciçamente. Em vez de se dobrar as folhas em dois (in folio), começou-se a dobra-las em oito (in octavo). Mas para que o Timeo ou a Ineida coubessem em um volume tão pequeno, Aldo Manucio, editor venesiano que promoveu o in-octavo, inventou o estreito caractere em itálico livrou os textos do aparelho crítico e dos comentários que os acompanhavam á séculos. Foi assim que o livro tornou-se fácil de manusear, cotidiano, móvel e disponível para a apropriação pessoal. Como o computador, o livro só se tornou uma mídia de massa, quando as variáveis de interface “tamanho e tecnologia” atingiram um valor suficientemente baixo (Lévy, 2002). Não obstante a isso, cresce de modo intenso o volume de informações no espaço hipertextual (ciberespaço), e concomitantemente a elas torna-se cada vez mais fácil o seu acesso, ao ponto de termos verdadeiras salas de aula, dentro de um computador - como já acontece com o ensino á distância oferecido pelas faculdades virtuais, onde as aulas são ministradas via Internet . Desde a minha primeira experiência como professor de CAD, (software utilizado pela Engenharia e Arquitetura) em 1994, tenho notado o avanço das tecnologias ligadas a informação e ao conhecimento. Á uma década a escola era o ponto central para uma busca de informação e aprendizagem, hoje este modelo está para se tornar obsoleto, portanto é necessário repensar a postura da escola e da universidade, com relação à prática docente, onde o professor não seja um mero transmissor de informações, mas um agente na produção do conhecimento e do pensar. Estou convicto de que as mudanças que ocorrem na organização metodológica e na produção de conhecimentos criam a base de um novo modelo de sociedade, tanto no seu aspecto sócio-cultural, como no seu aspecto educacional, na qual a inteligência passa a ser compreendida como o fruto de agenciamentos coletivos que envolvem pessoas e dispositivos tecnológicos, mídias e multimídias, e o acesso a elas. Mudando os paradigmas imposto pelo tradicionalismo, mudam também as formas de construção do conhecimento e os processos de ensino e aprendizagem. Quero salientar, alguns fatores que conforme RAMAL; Andréa Cecília, contribuem de forma direta para essa mudança: um fator de suma importância desse conjunto de mudanças na relação com o saber está relacionado á velocidade com a qual as informações circulam e são produzidas. Conhecimentos anteriores são modificados, revistos, ou se tornam simplesmente obsoletos. Até pouco mais de duas décadas, a pessoa que aprendia um ofício sabia que, provavelmente, a maior parte dos conhecimentos assimilados ainda seria válido até o fim de sua carreira. Hoje muitos precisam reinventar o próprio oficio, pois a cada instante surge uma nova técnica, ou há estudos aperfeiçoando uma determinada técnica(RAMAL,2002). Segundo a autora outro fator crucial, está vinculado á compreensão das relações entre trabalho, cidadania e aprendizagem. “Dominar não só a leitura e a escrita, mas também as outras linguagens utilizadas pelo homem, analisar dados e situações, compreender o contexto e agir sobre ele, ser receptor critico e ativo dos meios de comunicação, localizar a informação e utilizá-la criativamente se tornam saberes estratégico para a vida cidadã no contexto democrático”. A Tecnologia é outro fator que compõe este quadro de mudanças. Durante séculos a humanidade em suas sociedades, se valeram da oralidade como principal forma de transmissão e aprendizagem dos saberes culturais, seria esse o método utilizado ainda hoje na maioria das nossa escolas? E ao longo de outro vasto período de tempo a escrita se associou a essa oralidade, trazendo novos modos de relação com o conhecimento e ampliando o saber humano e suas capacidades de criação. Neste momento instaura-se um novo pólo comunicacional. Tendo esses elementos como fatores que agregam mudanças na produção de conhecimento, fazem com que nós professores necessitemos de conhecer, avaliar, e pensar crítica-reflexivamente, para podermos tomar decisões informadas, às tecnologias da informação e da comunicação disponíveis que já fazem parte do ambiente de socialização dos corpos docente e discente. Precisamos pensar em uma tecnologia que seja educacional,ao ponto de produzir autonomia no educador e no educando, ou seja , uma tecnologia útil para educar. Mas o que é Cibercultura? Como podemos definir-la de forma clara e concisa. Primeira resposta, um pouco abstrata: uma cultura é uma rede de correspondência entre sistemas simbólicos, por exemplo: as línguas, as regiões, as leis, os papeis sociais etc. Para LÉVY, Pierre em Cibercultura (2003,p.17) define os termos cibercultura e ciberespaço, da seguinte forma: “O ciberespaço (que também chamarei de rede) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica, não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (matérias e intelectuais), de práticas de atitudes de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. Outro questionamento que emerge, é a respeito do ciberespaço. Afinal o que vem a ser o ciberespaço ou espaço cibernético? O ciberespaço é a instauração de uma rede de todas as memórias informatizadas e de todos os computadores. Com ele temos uma comunicação muito diferente da mídia clássica, é nele que todas as mensagens se tornam interativas. De acordo com Lévy o hypertexto e a multimídia interativa, adequam-se particularmente aos usos educativos. É bem conhecido o papel fundamental do envolvimento pessoal do aluno no processo de aprendizagem. Quanto mais uma pessoa participa da aquisição de um conhecimento, ela está gerando para si um saber, pois parto da definição de que saber seja gerado através do conhecimento trabalhado em sua prática. O hipertexto é por tanto um instrumento bem adaptado a pedagogia ativa. A partir dele vemos surgir novas formas de conhecimento, que é muito diferente do estilo teórico hermenêutico que se apóia no estático, na verdade universal e determinados critérios de objetividade. Podemos dizer que a humanidade desenvolveu quatro tipos de relação com o saber. Antes da escrita, o saber era ritual e místico, outro é o saber ligado à escrita, trazido pelos livros,com o advento da imprensa surge um novo tipo que não é mais o livro e sim a biblioteca, e por fim o novo que conjura na própria humanidade não no sentido genérico, mas de uma humanidade viva enquanto espaço cibernético. O espaço cibernético como um meio, se encontra também na origem de uma nova arquitetura, de uma nova urbanização e até mesmo política, pois está constituindo uma polis. É assim que pedagogos, artistas e outros mais, que antes não se interessavam por fenômenos técnicos tem passado a se preocupar com estes problemas.Estamos vivenciando uma nova reestruturação do saber que está sendo gerada em silêncio, que aos poucos vem tomando lugar da sala de aula tradicional, e conquistando cada vez mais adeptos. É necessário que o professor saiba como utilizar esse tipo de tecnologia para sua formação, no sentido de aprender a aprender, e utiliza-la para incentivar a pesquisa, a construção do conhecimento e a busca pelo saber no educando, gerando nele um grande entusiasmo pela pesquisa. E o mesmo entusiasmo podemos referi-lo ao professor. Pois ele passa a ter um papel de agente na construção do conhecimento e na pesquisa, estando junto com o aluno, não num sentido de apenas dizer o que fazer, mas dando subsídios e aprendendo juntamente com o educando. A partir daí o professor deixa de ser apenas um professor que ensina, para se tornar um educador que sabe como transformar o meio, aprendendo a aprender. MORANDI. Franc. Filosofia da Educação. Santa Catarina. Edusc, 2002 RAMAL. Andréa Cecília. Educação na cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre.Artimed, 2002 LÉVY,Pierre. Ciberculture. Rio de Janeiro. 34. 2003 LEVY, P.A máquina universo: cognição, cultura e informática. Porto Alegre. Artmed, 2003 FREIRE. Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo.Paz e Terra, 2004
